No círculo que é o tempo, o homem imortal se encontrou
consigo mesmo, várias vezes sem entender que dividia o recinto com uma versão
mais nova e mais velha de sua pessoa, a qual não reconhecia, pois ele evoluía junto
com os mortais, encaixando- se entre os tempos que existiam, existem,
existirão, a fim de pertencer ao mundo e não se perder na solidão que o perecimento
dos outros acarreta àquele a persistir sobre os ossos alheios e ruínas
enterradas por novas Babilônias e areias assombradas.
Ele, quando o cheiro do mamute ainda lhe era fresco, viu-se
no bar subterrâneo onde era servido uísque traficado do Canadá, maldita lei
seca, a contemplar seu próprio semblante do crânio ampliado, pois a cabeça
humana cresceria eras vindouras, assim como os olhos ficariam enormes e o dedo mindinho
cairia. Temeu-o, apesar da misteriosa familiaridade, pois era do momento do Homem
quando cada espasmo natural era um deus
a rebentar seu humor contra o mundo e tentou ignorá-lo, como fazemos com
aquilo que nos incomoda para que desapareça em virtude de
nossa sorte.
Todavia, o homem a porvir para o caçador sorriu, contaminado
por uma nostalgia esclarecedora pagou uma bebida a si mesmo, do passado, e
puxou assunto, firmando-se um bate-papo, o que acalmou seu ser antecessor. A
conversa veio, a conversa foi e a conversa virá e ambos, sobre o patrocínio de
Narciso, enamoraram-se, terminando a madrugada do tempo num formidável coito
anal. Autofágico.