segunda-feira, 17 de setembro de 2012


Maria Tríplice, Tríplice Maria

AS TRÊS SE BEIJAM.
Equilátero cereja. Concentração Pink. Simetria Smack!
AS TRÊS...
(Alguém se lembra de Kiss Me Kiss Me Kiss Me do The Cure?)
SE BEIJAM...
O beijo é um triangulo rosa.
MUITO...
Babel, oh, Babel! Três línguas entre si desconhecidas.
MESMO!
Diria a bichinha duende a flutuar pela casa como uma ilustração de Peter Pan: 
Três meninas perdidas, Sininho!
Na penumbra e perigosa pista, na batida bate-estaca, a bruxulear no lusco-fusco sincronizado da zona crepuscular open bar, persiste o ósculo socialista, germes bactérias distribuídas, saliva comunal dividida, e a paixão tesa serpentina escorre caduceu pelas espinhas até onde o corpo se invagina e tudo começa e tudo termina. 
Terminal é a hora quando a noite brilha, a luz acende, desperta-se e o sonho (fade out) finaliza.
Minhas rainhas, a festa está nua!
A casa se esvazia na marcha morfina em direção ao sol dilacerante matinal.
Despedidas? Não, minhas queridas! No Casablanca! Nem @#$%! Sem lágrimas e sem abóboras.
A dança das Graças não será inibida. A hora da lua continuará de dia.
Casa de quem? Terra de Ninguém. Zona neutra. Zona quente. Alcova alugada para se concluir a coisa começada.
No cepo de cetim, o sacrifício epicuro, o holocausto sensualista (sem anjo empata foda a segurar a mão homicida), cingidas femininas entre dedos ungidos, alianças anelídeas, carnosa carcomida, lábios e rachas fendidas, as três se liquidificam, as três são uma, uma tríplice tripartida, as quais agora se apresentam e se identificam:
Antônia, africana, torneada, mamas armadas, historiadora e esteticista, feiticeira fetichista, rubra serpente dragão a roer as raízes da árvore da vida.
Camila, alva moura andaluz, magra, nem menino, nem menina, apenas ambas as expectativas. Cabelo Crepax Valentina fumetti e artista de graffiti e de pinceladas tintas; meio espírito, alguém diria talvez uma dríade.
Luciana, secretária corporativista, carcamana leitosa, sangue sardo, gorda matrona boa para parir, boa para comer, quase católica e toda mundana que se puder devoraria o cu do padre, diziam seus olhos criminosos durante a missa, no mais fino canibalismo.
Sim!  Três são uma.
Três almas em uma só caixa corpórea de proteína profana em foda arcana.
Mulheres una de três faces, dos mil seios, da deusa noturna, da madrinha  das bruxas, a cadela mãe,  Alpha Bitch, a deusa triangular: Elas são Hecate.
Elas são Hecate e nada mais!
Vespertina, a nova pessoa acorda/nasce. Sonhou que foi outras. Não mais. Não mais Antônia, Camila ou Luciana. Ignorante absoluta, a nova síntese humana vai compreendendo na medida em que cérebro se forma e se reforma o que as antigas moças as quais ela foi sabiam.
A única novidade a ulular na mente da nova criatura, no meio da velharia alienígena, é a ciência de seu nome, Maria, Maria Tríplice, Tríplice Maria, e agora ela tudo podia.

3 comentários:

  1. Oi Jean... Que bom que voltou a escrever !! Meio desatinada a sua escrita, mas está viva e eu gosto. Beijão.

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