Desinteresse.
Em pé.
Pulsando forte cardíaco o caralho, um músculo a bombar
líquido vivo, meto minha carne dentro dela, castigando-a em desamparada e bela
agonia, enquanto seguro seus cabelos castanhos, pintados de ruivo vagabundo,
para ela não despencar no chão.
Contorcem os bracinhos.
Os dedos se abrem em leque. Paralisam.
O trejeito é espasmódico. Movimento cristalizado de uma criatura
flagelada, fotografada.
Profiro:
_ Espera.
Esporo. Termino. Deixo-a cair feito coisa usada. Sem
interesse.
_ Mais?
Digo por dizer. Quase retórica. Quase consideração. A reposta,
sempre sei.
Safada. Saciada. Criança sadia. Muxoxa, condena-me.
_ Malvado.
Massageia dodói o
regaço.
_ Tá doeeeendo. Depois ,que tal?
Sem tempo.
_ Tenho compromisso.
Pego as meias. Arrumo-me. Antes de por a calça, abraça-me
por trás, como se não restasse mais nada. Talvez seja verdade.
_ Tempo nem pro um amorzinho?
Ela confunde. Amor é
para seu marido. Alcoólico e diabético bateu a moto no oficio de motoboy. Com
mil pinos de aço cirúrgico emergindo da perna, incapacitado, broxa por tempo
indeterminado. Aqui, o café é sem açúcar
e de metal é só o coração.
Sempre restrito ao gozo entre quase amigos.
Queixo no meu ombro.
_Hummm?
Sorrio uma mentira e a beijo para abater logo a
situação. Quero-me livre. Ósculo forte. Ventosa de molusco. Ventosa bucal de uma lampreia que parasita
outro peixe. Quero ir embora. Amolece na
minha boca e eu boto minha perna entre as dela.
_Esfrega.
Tímida, sinto pouco a vagina.
_ Esfrega, cadela. Deixa o seu cheiro.
Ela pira. Ela é uma pira. Agarra-me e se esfola.
Não resisto:
_Late.
Reluta. Um cisto de dignidade. Tarde demais.
O seu cabelo é meu de novo. É
indigna:
_La-te, cadela.
Vem lá do fundo o que tem que vir. O começo é um auauzinho e
morre num uivo fino de um lobisomem capado, enquanto desliza deixando um rastro
de lesma em minha perna.
_ Agora , vou.
_ Vai...
Beijo-a, agora inventando meiguice, e saio.
_Vai com Deus, amor.
_ Fica com ele.
Na porta do motel, pulgueiro
de costume para serviços rápidos
de prostituição de mulheres que
sobreviveram demais a profissão, eu, que nunca fumei, penso em fumar para fazer pose de
gente interessante para mim mesmo.
Como se resolvesse.
Penso melhor. Penso em câncer. Penso no homem morto de Marlboro.
Sinto-me nostálgico a respeito de velhas propagandas de TV e
me vou.
Desinteressado.
UAU! Gosto dos pensamentos expressos em frases curtas. O ponto final aumenta ainda mais a intensidade do que se narra aqui... Belíssimo conto, Jean!
ResponderExcluirUfa! Beleza!
ResponderExcluirGostei, JEAN !!!
ResponderExcluirAinda bem que vc avisa, lá em cima, que os contos podem estar temperados c/ crueldade.... hehe! Ainda assim gostei!
Abração!
ROBERTO JR SANTOS - (Grupos Facebook)
Uou! Curto e grosso! Curti, cara!
ResponderExcluir