Nos Campos de Estupro da Península Ibérica, os primeiros híbridos gerados pelos Varões Violadores nos receptáculos placentários principiam partos ruidosos. São cesarianas rasgadas na cela de pseudocarne de dentro para fora pelos miúdos, os quais em quinze dias estarão no tamanho adulto com todas as memórias implantadas rodando plenamente.
Entre a primeira leva dos novos híbridos já se encontram fêmeas que se mostrarão férteis e reprodutivas, fazendo a horda de humanas cativas ser dispensada e direcionada para os Campos de Pele e Reciclagem.
Antes da invasão do Matriarcado Magadom, Doroteia era nada. Uma caixa de supermercado ignorável diante dos olhos alheios. Após todas as cidades e nações caíram, ela continua sendo nada, porém com fortes perspectivas em ser reclicada em algum produto útil às Fêmeas Imperatrizes das cidadelas flutuantes agora a assombrar os céus e horizontes do planeta Terra.
Na fila para o vagão de transportes de carga humana, Doroteia marcha lentamente como os jovens estudantes no musical do Pink Floyd caminhavam para a fábrica de fazer salsichas. Ela não sabe por que se lembrou disso... Não, ela sabe. Óbvio. A analogia da lembrança juvenil veio em sua mente trazendo o conforto do passado, quando a realidade era regida pela televisão e pelo cinema, e o horror de um futuro de morte e descaracterização de seus restos.
Por que caminhar passivamente, como gado, para o fim? Por que não simplesmente lutar ou ao menos fugir para se libertar numa morte rápida e rebelde?
Porque quem vigia as filas de transporte são os Varões Violadores. Soldados máquinas orgânicas triploides de violação sexual com tentáculos de ponta rotativa. Eles não matam a vítima, eles a seviciam, causando tanto dor física como moral. Doroteia nunca pensou que alienígenas usariam o estupro como arma de guerra. Ainda mais um matriarcado!
A sociedade Magadom funciona como uma colmeia. Operários, soldados e zangões sem personalidade individual desenvolvida a serviço de um gineceu de rainhas. Os únicos componentes dessa sociedade de metal, plástico e carne com identidade e suas necessidades evoluídos até a individualidade. São estas soberanas que geram seus subalternos em turnos reprodutivos de décadas.
O povo magadom remete a uma composição a amalgamar características dos nossos artrópodes e moluscos, porém nascem incompletos para a sobrevivência por si só, sendo acoplados mecanismos a lhe garantir a sobrevivência e mobilidade. Trata-se de uma espécie evoluída em simbiose com sua tecnologia, portanto dependente intrinsecamente.
Doroteia sabe disso porque durante a guerra da queda da humanidade, quando houve esperançosas e fúteis vitórias permitiram ao revirar os restos das naus invasoras caídas os resistentes descobrirem seus segredos, os quais foram difusos pelos restos da mídia de modo que todo terrestre acesso.
Os magadons são saqueadores cósmicos. Drenaram até a última gota de seu planeta natal e agora saltam de mundo em mundo, habitado ou não, fazendo o mesmo para manter o estilo de vida das Fêmeas Imperatrizes.
Como gafanhotos, devoram tudo.
Dos minérios até a carne da raça dominante, com a qual cruzavam através de estupros por sondas orgânicas mecânicas onde desferiam bombardeamento genético a fim de criar soldados e operários mais aptos ao planeta que destroem. Inoculam seus espermatozoides nanotecnológicos nos corpos das fêmeas dominadas, para em seguida copiar detalhes de glândulas masculinas após vivissecção dos machos e esperam a gestação de híbridos entre as espécies.
Todavia, algumas espécies como a humana não suportam a gestação completa, então, o embrião é extraído e recolocado nos receptáculos placentários para completar todo procedimento gestacional.
Desse horror, Doroteia escapou, pois com o tempo os operários parteiros aprendem a sintetizar todo processo, incluindo criar um banco de óvulos e espermatozoides sintéticos para esse fim.
No entanto, esquivou do estupro, ela agora está indo para morte e reciclável.
Os magadons não fazem questão de proporcionar uma execução rápida às suas vítimas. Preferem algo certamente econômico de energia, pensou Doroteia. Pensamento, que a assombrou nos dormitórios dos campos quando viu perfilar filas de milhares de pessoas para os transportes.
Os dormitórios eram depósitos de gente de toda espécie, muito mais gente capazes de comportar, logo a humanidade se transformava em sub-humanidade. Havia aqueles a tentar organizar a prisão, mas não adiantava. Logo tudo se reduziu a tribos ou gangues, cada um com sua violência para sobreviver. Canibalismo não era raro. Mesmo o estupro, arma do invasor para quebrar o espírito do invadido e, portanto, fantasma de todos, foi prática nada incomum.
Doroteia sabia que aquele inferno teria fim, mas pelo menos, trataria de não ter a morte industrial reservada pelos alienígenas. Para mulheres há duas posições nos dormitórios. A de matadora ou negociante para as violentas e a de prostituta para as mortiças. Doroteia é forte fisicamente, quando tentaram violentá-la, ela expulsou os três agressores esmagando narizes. Isso lhe deu respeito no grupo o qual havia se aproximado e cabia a ela uma parte significativa de ração insuficiente que os seus carcereiros distribuíam.
No entanto, ao perceber o fenecimento de tudo, desceu na hierarquia. Fez-se puta e prestou serviços sexuais ao mais forte de todos, cujos músculos não murcharam diante da dieta precária e das condições insalubres (os banheiros eram um cagadouro coletivo, um buraco onde vários sentavam juntos para defecar e relembrar os bons tempos) e o nome fez questão de não saber.
Agora, na grande fila ela o procura entre os milhares, e numa fileira à distância o acha, marchando como resto.
O homem forte está à frente. Doroteia espera uma distração dos varões violadores e corre como seu corpo permitiu até seu antigo cliente. Ela fura a fila e entra na frente dele. Como o resultado da fila não é dos melhores, ninguém reclama da atitude antissociável da moça.
Caminhando adiante, ela não precisa dizer nada ao homem forte. Apenas que era hora de acertar as contas. Assim, ele envolve o pescoço da mulher com suas mãos possantes e, num segundo, quando a fila para, causando certo engarrafamento momentâneo, Doroteia é estrangulada.
E antes que os vigias atentem para o ruído da performance da fileira, são atraídos pelo corpo de Doroteia que caiu no solo.
Os varões violentadores se aproximam na intenção de punir, porém avaliam que não há ente senciente para degradar. Mas somente carne a reciclar. Então arrastam o cadáver para uma caçamba onde pousa junto com outros mortos de várias maneiras, alguns como os dela. Livremente.
Doroteia escapou da morte indústrial, apesar do cadáver está para ser reciclado, porém se ela detivesse o dom da clarividência não teria se submetido ao sexo e ao garrote de dedos, e teria esperado o espetáculo do belo crepúsculo atômico.
Não foi toda civilização que caiu de joelhos diante dos Magadom. Partes da China e da Rússia ainda resistem aos invasores. Como decidido antes cada país com tecnologia militar atômica, poupou-se de usar armas nucleares como ferramenta libertadora para preservar a raça humana. Todavia, a China que restava havia caído naquela tarde e na noite só restavam os russos, e estes sabiam que sua liberdade não passaria da madrugada talvez.
Russos são Russos. Eles lutam até o final. Se eles preferem destruir a pátria mãe a entregá-la a um invasor, porque seriam diferentes com a mãe terra?
Antes do jantar, o Comitê de Resistência da Rússia decide detonar todas suas ogivas nucleares aniquilando o planeta terra e livrando o universo da praga magadom.
Se Doroteia estivesse viva teria sido, talvez, desintegrada sem sofrimentos, vislumbrando a beleza arrasadora do sol artificial antes da cegueira final, entretanto, apesar do preço pago, ela se foi satisfeita de ter dobrado a mão do destino.
Entre a primeira leva dos novos híbridos já se encontram fêmeas que se mostrarão férteis e reprodutivas, fazendo a horda de humanas cativas ser dispensada e direcionada para os Campos de Pele e Reciclagem.
Antes da invasão do Matriarcado Magadom, Doroteia era nada. Uma caixa de supermercado ignorável diante dos olhos alheios. Após todas as cidades e nações caíram, ela continua sendo nada, porém com fortes perspectivas em ser reclicada em algum produto útil às Fêmeas Imperatrizes das cidadelas flutuantes agora a assombrar os céus e horizontes do planeta Terra.
Na fila para o vagão de transportes de carga humana, Doroteia marcha lentamente como os jovens estudantes no musical do Pink Floyd caminhavam para a fábrica de fazer salsichas. Ela não sabe por que se lembrou disso... Não, ela sabe. Óbvio. A analogia da lembrança juvenil veio em sua mente trazendo o conforto do passado, quando a realidade era regida pela televisão e pelo cinema, e o horror de um futuro de morte e descaracterização de seus restos.
Por que caminhar passivamente, como gado, para o fim? Por que não simplesmente lutar ou ao menos fugir para se libertar numa morte rápida e rebelde?
Porque quem vigia as filas de transporte são os Varões Violadores. Soldados máquinas orgânicas triploides de violação sexual com tentáculos de ponta rotativa. Eles não matam a vítima, eles a seviciam, causando tanto dor física como moral. Doroteia nunca pensou que alienígenas usariam o estupro como arma de guerra. Ainda mais um matriarcado!
A sociedade Magadom funciona como uma colmeia. Operários, soldados e zangões sem personalidade individual desenvolvida a serviço de um gineceu de rainhas. Os únicos componentes dessa sociedade de metal, plástico e carne com identidade e suas necessidades evoluídos até a individualidade. São estas soberanas que geram seus subalternos em turnos reprodutivos de décadas.
O povo magadom remete a uma composição a amalgamar características dos nossos artrópodes e moluscos, porém nascem incompletos para a sobrevivência por si só, sendo acoplados mecanismos a lhe garantir a sobrevivência e mobilidade. Trata-se de uma espécie evoluída em simbiose com sua tecnologia, portanto dependente intrinsecamente.
Doroteia sabe disso porque durante a guerra da queda da humanidade, quando houve esperançosas e fúteis vitórias permitiram ao revirar os restos das naus invasoras caídas os resistentes descobrirem seus segredos, os quais foram difusos pelos restos da mídia de modo que todo terrestre acesso.
Os magadons são saqueadores cósmicos. Drenaram até a última gota de seu planeta natal e agora saltam de mundo em mundo, habitado ou não, fazendo o mesmo para manter o estilo de vida das Fêmeas Imperatrizes.
Como gafanhotos, devoram tudo.
Dos minérios até a carne da raça dominante, com a qual cruzavam através de estupros por sondas orgânicas mecânicas onde desferiam bombardeamento genético a fim de criar soldados e operários mais aptos ao planeta que destroem. Inoculam seus espermatozoides nanotecnológicos nos corpos das fêmeas dominadas, para em seguida copiar detalhes de glândulas masculinas após vivissecção dos machos e esperam a gestação de híbridos entre as espécies.
Todavia, algumas espécies como a humana não suportam a gestação completa, então, o embrião é extraído e recolocado nos receptáculos placentários para completar todo procedimento gestacional.
Desse horror, Doroteia escapou, pois com o tempo os operários parteiros aprendem a sintetizar todo processo, incluindo criar um banco de óvulos e espermatozoides sintéticos para esse fim.
No entanto, esquivou do estupro, ela agora está indo para morte e reciclável.
Os magadons não fazem questão de proporcionar uma execução rápida às suas vítimas. Preferem algo certamente econômico de energia, pensou Doroteia. Pensamento, que a assombrou nos dormitórios dos campos quando viu perfilar filas de milhares de pessoas para os transportes.
Os dormitórios eram depósitos de gente de toda espécie, muito mais gente capazes de comportar, logo a humanidade se transformava em sub-humanidade. Havia aqueles a tentar organizar a prisão, mas não adiantava. Logo tudo se reduziu a tribos ou gangues, cada um com sua violência para sobreviver. Canibalismo não era raro. Mesmo o estupro, arma do invasor para quebrar o espírito do invadido e, portanto, fantasma de todos, foi prática nada incomum.
Doroteia sabia que aquele inferno teria fim, mas pelo menos, trataria de não ter a morte industrial reservada pelos alienígenas. Para mulheres há duas posições nos dormitórios. A de matadora ou negociante para as violentas e a de prostituta para as mortiças. Doroteia é forte fisicamente, quando tentaram violentá-la, ela expulsou os três agressores esmagando narizes. Isso lhe deu respeito no grupo o qual havia se aproximado e cabia a ela uma parte significativa de ração insuficiente que os seus carcereiros distribuíam.
No entanto, ao perceber o fenecimento de tudo, desceu na hierarquia. Fez-se puta e prestou serviços sexuais ao mais forte de todos, cujos músculos não murcharam diante da dieta precária e das condições insalubres (os banheiros eram um cagadouro coletivo, um buraco onde vários sentavam juntos para defecar e relembrar os bons tempos) e o nome fez questão de não saber.
Agora, na grande fila ela o procura entre os milhares, e numa fileira à distância o acha, marchando como resto.
O homem forte está à frente. Doroteia espera uma distração dos varões violadores e corre como seu corpo permitiu até seu antigo cliente. Ela fura a fila e entra na frente dele. Como o resultado da fila não é dos melhores, ninguém reclama da atitude antissociável da moça.
Caminhando adiante, ela não precisa dizer nada ao homem forte. Apenas que era hora de acertar as contas. Assim, ele envolve o pescoço da mulher com suas mãos possantes e, num segundo, quando a fila para, causando certo engarrafamento momentâneo, Doroteia é estrangulada.
E antes que os vigias atentem para o ruído da performance da fileira, são atraídos pelo corpo de Doroteia que caiu no solo.
Os varões violentadores se aproximam na intenção de punir, porém avaliam que não há ente senciente para degradar. Mas somente carne a reciclar. Então arrastam o cadáver para uma caçamba onde pousa junto com outros mortos de várias maneiras, alguns como os dela. Livremente.
Doroteia escapou da morte indústrial, apesar do cadáver está para ser reciclado, porém se ela detivesse o dom da clarividência não teria se submetido ao sexo e ao garrote de dedos, e teria esperado o espetáculo do belo crepúsculo atômico.
Não foi toda civilização que caiu de joelhos diante dos Magadom. Partes da China e da Rússia ainda resistem aos invasores. Como decidido antes cada país com tecnologia militar atômica, poupou-se de usar armas nucleares como ferramenta libertadora para preservar a raça humana. Todavia, a China que restava havia caído naquela tarde e na noite só restavam os russos, e estes sabiam que sua liberdade não passaria da madrugada talvez.
Russos são Russos. Eles lutam até o final. Se eles preferem destruir a pátria mãe a entregá-la a um invasor, porque seriam diferentes com a mãe terra?
Antes do jantar, o Comitê de Resistência da Rússia decide detonar todas suas ogivas nucleares aniquilando o planeta terra e livrando o universo da praga magadom.
Se Doroteia estivesse viva teria sido, talvez, desintegrada sem sofrimentos, vislumbrando a beleza arrasadora do sol artificial antes da cegueira final, entretanto, apesar do preço pago, ela se foi satisfeita de ter dobrado a mão do destino.
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