O
padre que cagou um diabo
Apesar de ter sido
chamado por Deus, Padre Álvaro era um homem perverso.
Tal desalinho moral não
foi de se surpreender, pois quando atendeu a inspiração do Senhor, vislumbrou
em sua epifania a entidade do primeiro testamento, o Senhor dos Exércitos, crendo,
não de maneira clara e racional, pois isto implicaria em pecado de pensar, que o
deus amoroso dos evangelhos era uma versão emasculada do primeiro, um cortesão
eunuco e complacente com os fracos.
Menos para empregar o
entendimento e estimular o conforto, a Palavra era um instrumento de imposição
da Ordem, sendo esta a glorificação do mais forte. Já no seminário demonstrara
seu caráter.
Foi delator.
Dedou os seminaristas
que demonstravam estar metidos em pensamentos subversivos e fez duas bichas, mesmo
com a falta de provas cabais de sodomia, serem expulsas quase em solenidade.
De volta a Arraial, sua
cidade natal, no cu do mundo, foi-lhe entregue a paróquia por seus serviços
prestados ao Bispo conservador na luta contra o desvio vermelho dentro da
Igreja. Lá se empenhou novamente em nome da Ordem.
Mesmo ciente de que o
mundo era uma imperfeita caricatura do Céu, não podia admitir qualquer bagunça na
composição da realidade, porquanto, isto além de perigoso, ofendia a Deus.
Destarte, apoiou, ou
melhor, ordenou que para prefeito os fiéis votassem em seu primo, Gustavo
Calamar, cuja família mandava e desmandava naquela terra empoeirada desde antes
da lembrança dos mais velhos.
Usou inicialmente do
tradicional esquema de convencimento cristão, a ameaça de danação infernal. Quem
votasse em Gustavo estava perdoado dos pecados automaticamente, sem nem
precisar de confissão, quem votasse na oposição, estaria condenado sem indulto.
O adversário era
Alexandre Laguna, dono do único jornal do município, o Clamor de Arraial.
Varão de outro clã
truculento que concorria pelo poder na região, mas que caiu longe da árvore
bichada, revelando-se um liberal simpático às melhorias para a gente da terra e
à imprevisível democracia. Mesmo tênue, um leve mea culpa pelas cagadas
ancestrais, esse progressismo era visto pelos olhos do sacerdote como um
radicalismo disfarçado que tendia certamente a uma tentativa de ebulição da
escória a acabar numa sublevação geral.
Temendo que o tráfico do
perdão não resolvesse, Padre Álvaro, partiu para a peleja. Literalmente. Seja
abençoando as armas dos jagunços de seu primo, seja botando uma arma na cintura
sobre a batina preta e ir em diligencia com os paus mandados a aterrorizar os
aliados de Alexandre na alta noite.
Um dia, no entanto, ao
contrário da passividade a qual esperava, encontrou resistência. À bala! Se no
início da investida contra a casa do caboclo que propagandeava simpatia ao
inimigo o padre gritou: “Deus está conosco!”, Deus depois fugiu com ele
deixando a jagunçada sozinha para resolver a escaramuça, que deu errado, pois o
caboclo era bom de mira como o diabo e fez os capangas retrocederem.
Calhou que vieram as
eleições e o voto secreto fez mais que as orações e as balas abençoadas.
Alexandre levou a vitória, com pouca margem, mas levou.
Padre Álvaro se
emputeceu.
Amaldiçoou Alexandre, amaldiçoou
a cidade e se tivesse parado nas maldições teria ficado por isso mesmo. O
sacerdote ignorou todo louvor ao perdão pregado por sua instituição e partiu
para a mais mesquinha e destrutiva vingança, retornando ao seu antigo vício de
delação.
Pegou o compromisso de
confidencialidade do confessionário e enfiou no rabo.
Nenhum segredo estava
seguro com ele. Os devotos mesmo sabendo que o homem de Deus não era flor que
se cheirasse, entendiam estar protegidos ao contar os pecados no confessionário.
Não, não mais...
Maridos logo saberiam
da infidelidade das esposas, sócios dos furtos e trapaças dos outros sócios,
pais dos deslizes dos filhos, moças tiveram a perda da virgindade relatada, até
a mais prosaica bobagem era contada a outra parte envolvida.
Se por falta de treino
ou hábito, as balas durante a cavalgada com os peões de seu primo não feriram
ninguém, as revelações de Padre Álvaro foram empreiteiras de muita dor e muita tragédia.
Um homem retalhou o
rosto da mulher adultera ao ponto de que nenhum outro macho a desejasse.
Um pai arrastou a filha
desvirginada até o ermo e, após surrá-la com gosto, largou a pobre a própria
sorte.
Dois irmãos, sócios num
boteco, se mataram a facadas, porque um desviava o lucro e o outro surrupiava
carinhos da cunhada.
Um senhor unha de fome metera
uma bala entre as órbitas do jovem que o furtara para alimentar o filho que nascera.
O bordel da cidade
tivera as portas trancadas e depois incendiado. Queimaram vivas as putas! Obra
de mulheres indignadas com as aventuras de seus maridos no lupanar.
E mais outras anedotas
terríveis, e mais morte, e mais sangue.
Padre Álvaro bispou inteiro
o quadro de terror que pintou. Sem culpa e sem remorso, não viu o mal que
semeara. Achou o terror gracioso. Na verdade, sentiu-se orgulhoso por ter
levado justiça à cidade.
E como o Orgulho é o
pai de todos os pecados, a barriga lhe doeu tremendamente.
Era dor de caganeira, contudo
era uma dor espantosa. Esbraseavam as tripas. Uma ardentia assombrosa.
Uma dor de parto.
Tentou correr para
latrina, porém não conseguiu. Levantou a batina, acocorou-se e se pôs a obrar
ali mesmo, dentro da igreja vazia, em frente ao altar.
Primeiro, peidou brabo.
Ruidoso e cheiroso. O fedor chamuscou-lhe o nariz na textura do enxofre.
Segundo, soltou ao longe
um jato de líquida diarreia sanguínea, cuja magmática fervura cozinhou as
pregas.
Terceiro, dando a
excrescência líquida lugar a sólida, algo áspero, espinhoso e duro desceu pelo
seu reto com muito custo, caindo no chão num som oco, dando um alívio
semelhante ao resultado de uma boa fornicação.
Padre Álvaro, ainda
suado, trêmulo, virou-se para ver a bosta que fizera, deu de cara com o
impossível e entendeu que a merda era muito maior.
_Puta que o pariu!
Puta não. Padre.
Ele parira um
demoniozinho.
O padre cagara um
diabo.
Estava lá, meio abobado
ainda, do tamanho de um camundongo com carinha de bebê, olhinhos fechados,
entretanto com o aparato clássico de sua espécie: Chifres, rabo, cascos e asas
de morcego.
O que fazer? O que
fazer?
Sorte que Padre Álvaro
era um menino muito atento ás histórias que seu avô contava em torno da
fogueira e se lembrou dos contos em que caipiras chocavam no sovaco por dias a
fio ovos botados por galos negros a meia-noite de onde saiam cabrunhãozinhos
para servi-los com boa sorte e condenar suas almas.
Rapidamente, tratou de
arrumar uma garrafa de vinho, o qual era usado na missa como sangue de Cristo,
tirou a rolha, dispensou o conteúdo, catou com cuidado o diabrete, o enfiou
pelo gargalo e, por fim, tampou o recipiente fazendo uma cruz na rolha com uma
faca, que conforme os causos do seu avô serviriam para prender o maligno lá
dentro.
O
pequeno demônio acordou e encarou o sacerdote que lhe colocara no mundo. Não
era um olhar de ódio, era uma espera pacifica por algum comando.
No
começo veio-lhe o horror.
Compreendera
que tal fenômeno não viria de graça. Pessoas não defecavam diabos. Ainda mais
homens de Deus. Nunca tinha ouvido falar de tal fato, a não ser da ideia de que
o Anticristo nasceria de uma mulher mortal. Mas aquele lá na garrafa não podia
ser o Anticristo. Era um diabinho. Um fruto intestinal seu.
Sendo
assim, bem sabia, que como o mal só poderia vir do mal (não, na verdade pode
vir do bem também ou o mal às vezes não é o mal, podendo ser o bem em outra
perspectiva, mas deixe: Padre Álvaro não era muito refinado em assuntos
filosóficos), ele estava condenado.
Chorou
de pavor.
Que
mal havia cometido para tamanha profanação ser a recompensa? Claro, que todos
seus pecados, todos seus atos malvados que provocaram dor passaram em revista
em sua memória, todavia, os camuflou num sofisma pessoal para o seu
entendimento como ações necessárias para um bem maior.
Sim!
O mal pode vir do bem e o bem pode vir do mal!
Esse
inovador exercício do beabá da Moral, filosofada esforçada de última hora,
estava mais para um subterfúgio, uma corda para salvá-lo do abismo, do que
alguma tonificação da inteligência sobre a relação entre as coisas.
E
concluiu que ele não era um pecador, mas um justo e que o próprio Deus enviara
o diabrete para os seus propósitos divinos.
Se
o mal, que ele fez, foi arma para a vitória do bem, porque não sofisticar a
prática com um instrumento definitivo?
E
sabendo que estava salvo (sim, ele se convenceu!) o sacerdote dançou pela igreja
com a garrafa encarando todo sublime a criatura dentro dela.
Não
tardou a usar seu brinquedo demoníaco para consertar o mundo que estava
bagunçado.
Alexandre
Laguna, o prefeito eleito, morreu precipitado dentro da prensa de seu jornal,
ato estranho que mesmo remetendo a suspeita de suicídio, Padre Álvaro fez
questão de enterrar com todo rito cristão.
Estranhamente,
o Juiz eleitoral decidiu que quem deveria ser eleito não era o vice, mas o
adversário, Gustavo Calamar. Os partidários de Alexandre protestaram, mas logo
saíram da luta política, acometidos por doenças venéreas e bexiguentas, que o
médico da cidade, rapaz novo e modernizado, nunca tinha ouvido falar.
Em
seguida, as terras da família Laguna secaram e atraíram toda sorte de peçonha e
miasma, tornando a propriedade inabitável, gerando o abandono e os rumores de
ser mal-assombrada.
A
vida de certas pessoas na cidade era encerrada de maneira surpreendente e
inusitada. Ataque de cães negros. Olhos arrancados por pássaros sombrios. Gente
gulosa que comeu até morrer. Luxuriosos que fornicaram até as partes arderem e o
coração falhar. Suicídios exóticos surtaram pela cidade, como a costureira que
engoliu o vestido de noiva que ela fez para o próprio casamento, o farmacêutico
afeminado que decepou membro e o colocou em exibição na vitrine antes de morrer
por sangramento, e outros mais.
Todos
os pecadores que Padre Álvaro achava que precisavam, por um motivo ou outro, serem
encaminhadas para o inferno. Muitas
vezes nem havia um pecado para ser punido, apenas o infeliz cometera o erro de
importunar o sacerdote dono do diabo que lhe atendia desejos.
E
o pequeno ser na garrafa fazia sair o melhor do religioso, ou seja, a maldade!
Cada vez que usava seu diabinho mais perverso se tornava e, como viciado, mal
esperava para pedir outra iniquidade.
A
cidade estava perplexa com o festival de trevas que a cobrira, no entanto, mas
do que as ações do maldito, o que acabou alarmando os moradores foi a
aproximação de comunistas armados.
Tratava-se
de um grupo revolucionário de guerrilheiros, ex-militares desgostosos com os
rumos do país. Iniciaram a marcha pelo campo para recrutar camaradas a fim de
derrubar o governo, instaurar a chamada ditadura do proletariado e alcançar a
felicidade igualitária.
(Ou
se tornar a nação em mais um satélite submisso da URSS na América – Latina com
uma nova plutocracia, vai lá saber.)
Eram
liderados pelo Capitão Josias Juliano, apelidado de Capitão Crepúsculo por seus
admiradores, os homens de letras nas grandes cidades, por sempre preferir lutar
nesse horário e pela poesia explícita e cafona, a conjugar a cor carmim do céu
crepuscular com a da causa radical.
Atravessavam
a caatinga esmigalhando as forças federais e estaduais, com armadilhas e
tocaias típicas dos caçadores da região, armadas por jagunços que revoltados
com os desmandos dos seus senhores resolveram aderir aos subversivos.
Sabendo
que as forças de Capitão Crepúsculo estavam próximas a cidade, Padre Álvaro,
para demonstrar poder, ordenou ao seu capeta destruí-los.
Entretanto,
para o azar do religioso, havia um fato o qual não contava. Era um bando de
ateus materialistas já vacinados por doutrinação contra o ópio do povo. Como os
deuses e demônios são mais efetivos contra os crédulos, o diabrete pela
primeira vez encontrou problemas de eficiência.
Enviou
uma matilha de cães negros para destroçar a horda vermelha, no entanto, as
bestas de olhos de fogo foram demovidos de sua ferocidade, primeiro por coronhadas
dos fuzis e depois por nacos de carne seca jogados pelos guerrilheiros.
Encantados com generosidade de suas vítimas, as bestas largaram a causa do
diabo e aderiram como mascotes dos marxistas.
A
seguir, veio um ataque de pássaros negros, o qual foi recebido a tiros de fuzil,
abatendo todas as aves profanas, as quais viraram churrascos saborosos nas
fogueiras da tropa, cujos ossos sobraram para os cães convertidos.
Por
fim, tentou atiçar os pecados capitais dos homens de Crepúsculo a fim de
desmontar as fileiras. Preguiça, Gula, Luxuria e o resto do pacote. Não
obstante, seu capitão era homem de mão de ferro e voz trovejante, logo ao ver
aqueles estranhos desvios, uns queriam parar para descansar, outros desejavam
saquear o gado de fazendas vizinhas para se proverem de enormes banquetes,
havia aqueles que pretendiam reencenar o rapto das Sabinas no primeiro vilarejo
que encontrassem, sem contar as brigas risca-facas motivadas por picuinhas,
tratou de botar de volta a disciplina tanto apreciada na vida marcial.
Deu
–lhes uma descompostura no pessoal que até os cactus próximos se coraram.
Vexados os homens abandonaram seu comportamento tresloucado e bateram
perfilados os calcanhares. A marcha continuava.
Com
tudo em vão, os comunistas já se encontravam na entrada da cidade. Os jagunços
de Gustavo Calamar e os homens do delegado em conjunto bem que tentaram, mas
fizeram uma resistência pífia. Os que não foram abatidos, foram enxotados,
fugindo em nuvens alta de poeira.
Agora,
a tropa se dirigia a igreja, onde acreditavam ainda se encontrar algum resto de
aferro contra sua passagem pela cidade, da qual confiscariam víveres antes de
seguir jornada, além de realizar a sua propaganda ideológica de sempre.
Rangendo
os dentes, Padre Álvaro cobrou esforço do diabinho que gastou o que tinha em
efeitos especiais.
A
terra tremeu.
O
chão vibrou. As casas racharam. O mundo ia cair.
Podia
cair, mas Capitão Crepúsculo e seus homens permaneceriam em pé, mesmo com o
esqueleto tremulante e os dentes batendo, correndo risco de perder a língua numa
dentada involuntária.
Choveu
granizo ardente.
No
trajeto de estrelas cadentes, petardos de fogo desciam do céu, análogos ao fim
de Sodoma e Gomorra.
O
plágio da ira de Deus, no entanto, não abalou os vermelhos, pois estes já
tiveram sob banho de chumbo quente da artilharia do governo, deste modo já
endurecendo seu couro. O que o divino faz, o homem nunca está muito longe de
imitar ou até de superar.
Criou
zumbis de cadáveres de pecadores do cemitério.
Dono
da confissão final de muitos mortos, o padre pode dar o direito ao espírito
engarrafado de convocar aqueles que ainda não descansavam no outro lado. Ordenou-lhes
a vestir a carne podre e a assaltar contra os comunistas.
Os
adversários putrefatos também não
impressionaram os descrentes. Em paragens anteriores um coronel beato que se
travestia antes de padre e depois de santo, ordenou aos seus devotos, famintos
esqueléticos, vítimas de uma seca eterna e da pilhagem de seus mestres donos de
terras, que se militassem e atacassem os ímpios. Um arranca-rabo resolvido no
cacete, pois Capitão Crepúsculo teve dó daquela gente. Que viessem os defuntos!
Não há muita diferença, entre um morto ambulante e um morto de fome que teima
em não cair onde esteja!
Levantaram-se
línguas de fogo em torno da igreja tecendo um círculo protetor.
Pronto,
pensou Padre Álvaro, estas faixas infernais farão os subversivos fugirem com o
rabo entre as pernas, além de enfiar a fé cristã goela abaixo deles, porque
entenderiam estes fatos como provas do divino.
Nisto,
quando gozava por ter salvado a cidade do comunismo e, talvez, reconvertido
algumas almas, a porta da igreja explodiu numa porrada!
Era
Capitão Crepúsculo e seus camaradas.
Eles
carregavam os mortos-vivos em chamas. O grupo havia pegado os cadáveres
ambulantes e os usados como escudos para atravessar o círculo chamejante,
depois como aríetes contra a porta do templo.
Jogando
os defuntos a arder no chão da igreja, Capitão Crepúsculo avançou com seu passo
pesado para sacerdote que agora tremia todo.
_ É só você que está aqui, Padreco?
Apavorado,
Padre Álvaro ergueu a garrafa com o diabinho dentro e implorou para seu bruxedo:
_Proteja-me!
O
Capitão ao ver o diabinho não conteve o desprezo. Tomou a garrafa e jogou-a no
chão, espatifando-a.
O
Padre quase se cagou de novo.
_O
que você fez? Estamos todos perdidos agora!
O
diabrete arremessado se restabelecia do impacto, pronto para destruir todos a
sua volta, agora que estava livre, quando a bota negra do Capitão Crepúsculo o
esmagou numa pisada, como uma barata.
Destruído
o diabinho, cessou o círculo de fogo, parou a chuva de granizo ardente e os
zumbis que sobraram caíram como sacos cheios de batatas.
_
Mera ilusão religiosa!
O
padre se abobou.
_
C-como?
_
Era assim que você enganava o povo? Com truques de mágica?
_
M-mas como você...
_Agora
escute, corvo de sacristia, temos necessidades. Vá e reúna seu rebanho no meio
da praça. Vamos confiscar alguma comida e bebida para a causa de libertação
nacional. Não queremos explorar, apenas o bastante para continuarmos nossa
marcha até a capital.
Padre
Álvaro ainda boquiaberto, num esgar de espanto diante de tudo.
_
Anda, homem de Deus! Antes que eu te cape e lhe dê motivos reais pra você usar
essa saia.
O
sacerdote despertou de seu transe e correu, em meio as gargalhadas dos homens
de Crepúsculo, para fora da igreja a fim de atender ao que líder ateu ordenou.
Ele
reuniu o povo que deu os mantimentos para os guerrilheiros, os quais se retiraram
no trote de seus cavalos sem causar qualquer outro dano, a não ser nas consciências
dos cidadãos sobreviventes de Arraial, nas quais fora destilado o absinto do
grande perigo vermelho, uma vez que Capitão Crepúsculo se deteve para mais um
deslumbrante discurso que enfeitiçava as massas estúpidas.
Já
não mais tão estúpidas e cientes de que poderiam ser mais do que eram, as
pessoas reconstruíram a cidade, dessa vez sem jagunços e famílias mandatórias,
todas expulsas uma a uma na medida em que a ideia crepuscular se espalhava nos
passos de uma peste.
O
único edifício que não foi recuperado foi a igreja. Ela permaneceu abandonada, habitada
pelo sacerdote, transformado em pária devido não apenas aos seus crimes, mas
também pela sua inutilidade na nova Arraial.
(A
qual poderia ter sido um paraíso igualitário, a não ser por um grupelho que
assumiu o poder na comunidade, expurgou toda gente adversária e implantou uma
cruel ditadura provisória a qual virou permanente até entrar em colapso anos
depois.)
Dentro
das paredes do templo, o padre, isolado da revolução de bolso que acontecia ao
seu redor, vestindo uma batina maltrapilha, todo dia comia folhas e raízes de
plantas com qualidades purgativas e orava ao Senhor na tentativa amargurada de
cagar outro diabo. O resultado é que se produzia quilos de bosta em fracassadas
cagadas, executadas em frente ao altar, na esperança de que, se se repetisse as
condições iniciais, reveria a profanação que o fez avatar da Ira Divina.
Nunca
mais Padre Álvaro conseguiu recuperar aquela obra infernal, não obstante, a
igreja ficou fedida como sovaco de Satã.
Valeu a espera!
ResponderExcluiraté enxerguei a coluna Prestes na brincadeira...
Cara, cada dia melhor!
E aí, mulher!
ExcluirJura que enxergou a coluna Prestes???
Gostei muito dete blog tb!
não consigo fazer comentários
ResponderExcluirAgoraaa sim!!!! reclamei e deu certo!!!
ResponderExcluirUAU... ótima história! A "cagada" do padre... Muito bom!!
ResponderExcluirAdorei Adorei Esse Padre foi concebido por Satã !!!
ResponderExcluirGostei bastante. Bem escrito, estiloso. Só achei que o grupo comunista do crepúsculo ganhou ares de super-homens, o que ficou um pouco exagerado.
ResponderExcluirMuito bom!! Um humor recheado de picardia! E caraca, cagar um diabinho não é mole não. Já imaginou se ele estivesse com uma constipação intestinal (diarréia, caganeira), iria sair um diabinho liquido e escorrido e muito mais fedido!! Muito bom, adorei!!
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